terça-feira, 16 de agosto de 2011

A INCLUSÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIA MENTAL CRESCE E MUDA PRÁTICAS DAS ESCOLAS

A inclusão de crianças com deficiência mental cresce e muda práticas das escolas.

O número de crianças com algum tipo de deficiência na rede regular de ensino do país cresce a cada ano. O impacto da política de inclusão na educação pode ser medida pelo crescimento das matriculas entre 2002 e 2006.
O crescimento não é casual, mas resultado da mobilização da sociedade brasileira. A Constituição Brasileira de 1988 garante o acesso ao ensino fundamental regular a todas as crianças e adolescentes, sem exceção, e deixa claro que a criança com necessidades educacional especial deve receber atendimento especializado complementar, de preferência dentro da escola. A inclusão ganhou reforços com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, de 1996 e com a Conversão de Guatemala, de 2001, que proíbem qualquer tipo de diferenciação de exclusão ou de restrição baseadas na deficiência das pessoas.
Se adentrarmos a fundo na história anterior ao século XVI, certamente ficaríamos horrorizados com a tamanha injustiça feita com as pessoas que nasciam com algum tipo de deficiência ou diferença. Tais pessoas eram estupidamente queimadas em fogueiras em praça pública ou jogadas à própria sorte, pois se acreditava que era uma obra maligna.
A partir de então, conforme foram ocorrendo às mudanças na organização das sociedades começaram a ter mais zelo para com as pessoas com deficiência. E, foram durante o século XX, que as instituições sociais estenderam o atendimento especializado a este grupo de excluídos, os deficientes.

Deficiência mental: de que estamos falando?
Deficiência mental corresponde a expressões como insuficiência, falta, falha, carência, imperfeição associadas ao significado de deficiência (do latim deficientia) que por si só não definem nem caracterizam um conjunto de problemas que ocorrem no cérebro humano, e leva seus portadores a um baixo rendimento cognitivo, mas que não afeta outras regiões ou funções cerebrais.

A principal característica da deficiência mental é a redução da capacidade intelectual (QI), situadas abaixo dos padrões considerados normais para idade, se criança ou inferiores à média da população, quando adultas. O portador de deficiência mental na maioria das vezes apresenta dificuldades ou nítido atraso em seu desenvolvimento neuropsicomotor, aquisição da fala e outras habilidades (comportamento adaptativo).
Como a criança tem suas funções intelectuais comprometidas, ela pode também ter dificuldades em seu desenvolvimento e no seu comportamento, principalmente no aspecto da adequação ao contexto a que pertence, mas igualmente nas esferas da comunicação, do cuidado consigo mesma, dos talentos sociais, da interação familiar, da saúde, na segurança, no desempenho acadêmico, no lazer e no campo profissional. A deficiência intelectual manifesta-se no paciente sempre no estágio anterior aos dezoito anos de idade. Assim fica claro que, ao contrário da Demência, a Deficiência Mental se caracteriza pelos transtornos no desenvolvimento, não por degenerações cognitivas.
É importante não confundir Deficiência Mental ou Intelectual com Doença Mental. A pessoa com necessidades especiais mantém a percepção de si mesmo e da realidade que a cerca, sendo capaz de tomar decisões importantes sobre sua vida. Já o doente mental tem seu discernimento comprometido, caracterizando um estado da mente completamente diferente da deficiência mental, embora 20 a 30% dos deficientes manifestem algum tipo de ligação com qualquer espécie de doença mental, tais como a síndrome do pânico, depressão, esquizofrenia, entre outras. As doenças mentais atingem o comportamento das pessoas, pois lesam outras áreas cerebrais, não a inteligência, mas o poder de concentração e o humor.

Educação: do que é mesmo que estamos falando?
Pais?              Professores?          Escolas?

A família é o primeiro campo de treinamento significativo da criança. É neste campo de treinamento que a criança descobre a existência de outras pessoas (pai, mãe, irmão, irmã, avós e outros), cada qual com um papel previamente definido, que por suas experiências únicas e uma personalidade essencial torna-se uma pessoa diferente das demais, com forças e fraquezas, temores e amores, fixações e necessidades, desejos e sonhos. A criança aprende sobre o mundo e a vida através de cada pessoa na família. Assim, se os integrantes da família, como um grupo, reagirem a elas de modo positivo, é provável que as crianças se vejam sob uma luz positiva.
Muitos pais de crianças deficientes não só experimentam sentimentos de culpa e vergonha, mas sentem-se culpados e envergonhados por terem um filho com deficiência. Além das pressões internas com as quais a família terá que lidar com o nascimento de uma criança deficiente, esta também terá de enfrentar as pressões exercidas pelas forças sociais externas, uma vez que a sociedade tem dificuldade em conviver com as diferenças.
A tentativa de proteger o filho dos preconceitos sociais, o desconhecimento ou a negação da maturidade biológica que é a mesma para todos, a fantasia de poder postergar infinitamente as situações conflituosas que ele ire enfrentar e a própria dificuldade de aceitação da deficiência do filho parecem as principais dificuldades dos pais para lidar com a criança.
As pessoas que compõem a família principalmente os pais tem como uma das funções a educação. Daí a necessidade destes receberem apoio e orientação acerca das possibilidades de desenvolvimento da criança com deficiência, para que, assim possam promover desde cedo o seu desenvolvimento.
Quanto ao trabalho do professor Moura (1980, p.137),afirma é tarefa do professor o comum atendimento às crianças portadoras de deficiência mental leve, e, tal trabalho precisa ser marcado pela compreensão, pela dedicação e pela paciência. Não deverá o professor se igualar às pessoas comuns que infelizmente ainda possuem muitos preconceitos em relação aos retardados mentais.

Cabe ao professor, portanto aceitar tais crianças e demonstrar carinho a elas ensiná-las primeiramente às coisas mais fáceis e uma parte de cada vez. O professor conseguirá resultados mais positivos de seu trabalho, se associar cada parte as coisas agradáveis para a criança. Ele deverá elogiá-las após cada item aprendido para que ela se sinta mais capaz e segura. É ainda tarefa deste professor, manter a paciência e a uniformidade de comportamento e, ao avaliar a criança deverá evitar fazer comparações com as demais, além de que, não poderá exigir um rendimento que a criança não poderá oferecer. Sendo assim, ficará mais suave o trabalho e o compromisso do educador e a escola estará cumprindo com sua autêntica tarefa: a de educar a todos como nos garante a LDB e a Constituição Federal.
As escolas também têm o seu papel.
Elas deveriam assumir que as diferenças humanas são normais. A aprendizagem deveria ser adaptada às necessidades da criança, ao invés de se exigir a adaptação da criança às condições preconcebidas, aos regimentos internos, respeitando o ritmo e a natureza do processo de aprendizagem. A distância entre discurso e pratica inclusiva das escolas particulares é enorme. Uma pedagogia centrada nas necessidades da criança e na melhoria do ambiente escolar é benéfica para todos os estudantes e ao conjunto da sociedade.
O principio fundamental da escola inclusiva é: todas as crianças devem aprender juntas, sempre que possível, independentemente de quaisquer dificuldades ou diferenças que possam ter. Escolas inclusivas devem reconhecer e responder às necessidades diversas de seus alunos, acomodando ambos os estilos e ritmos de aprendizagem e assegurando uma educação de qualidade a todos, por meio de um currículo apropriado, uso de recursos e parceria com as comunidades e associações.



Um comentário:

Silvano Sulzart disse...

òtima informação ....Sucesso! Continue postando ....